indy

na primeira noite que ficou connosco arrancou a grelha do rodapé dos armários da cozinha e escondeu-se lá debaixo. de manhã tivemos de desmontar o rodapé todo e colar a grelha com fita-cola. no final da semana seguinte deitou-se pela primeira vez ao meu lado, a ronronar.

gostava de queijo da ilha.

não gostava da varanda do sétimo andar. mas passava horas deitado no parapeito da janela da sala. no corredor, faziam a curva pela parede.

foi giro vê-lo passar de gato que vomitava com nervoso miudinho, que se assustava — aqueles fantásticos pulos de mola — com a própria sombra ou uma brisa fresca, por um que parecia gostar do barulho dos camiões do lixo em lisboa. que passeava pelo quintal da última casa, saltava o muro e andava na estrada, quase a fazer jus ao nome que lhe deram.

horas passadas, de madrugada, a raspar na caixa.

dormia à sombra da roseira quando o calor apertava. ou dentro do carro. ou na casota que estava junto ao muro.

companheiro de noites de trabalho, ao colo, ou deitado na mochila ou num casaco em cima da secretária. a maior parte das vezes teimosamente encostado ao braço e ao computador.

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15/04/2017

não perdia uma oportunidade — estava lá em menos de nada — para se alapar no colo. boas noites de sofá e televisão. mesmo quando estava frio e os pés enregelavam.

explorador nato de sacos e ocupa extraordinário de caixas vazias. coisas que já não se fazem.

merda dos rins.

dia dezassete de abril, depois de almoço, no veterinário, morreu.